Jornalista que teve mal súbito lamenta ter sido usado pelo movimento antivacina

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Quem assistia ao telejornal do fim da manhã da TV Alterosa, em Varginha, no dia 3 de janeiro, tomou um grande susto. Rafael Silva, responsável pela apresentação do noticiário da afiliada do SBT em Minas Gerais, perdeu os sentidos e caiu. Ele sofreu um mal súbito enquanto comentava uma ocorrência policial.

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O jornalista, de 36 anos, não lembra da cena e nem do que ocorreu nas horas e dias anteriores. Socorrido imediatamente, recebeu massagem cardíaca ainda no estúdio e teve que ser reanimado cinco vezes na ambulância, onde também foi intubado. Internado na CTI, passou por exames e foi transferido para Belo Horizonte para mais avaliações.

A causa do mal súbito sofrido pelo jornalista, que não tinha histórico de problemas do tipo, não foi definida. Agora Rafael vive com um desfibrilador implantado para evitar novas arritmias cardíacas. Graças à velocidade do atendimento, e por sorte, ele não teve danos neurológicos e sobreviveu.

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“Pacientes que passam por isso e chegam vivos ao hospital, como no caso do Rafael, representam algo em torno de 4% a 5% desses casos”, explica o cardiologista Henrique Barroso Moreira, que atendeu o paciente.

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Fake news sobre o mal súbito

O vídeo do desmaio de Rafael viralizou e suas redes sociais ganharam milhares de seguidores. A narrativa em torno da fatalidade, no entanto, tomou terríveis proporções. Membros do movimento antivacina passaram a divulgar o caso, responsabilizando a vacina pelo mal súbito.

O jornalista havia tomado a dose de reforço contra a Covid-19 menos de uma semana antes do acontecido, mas não há qualquer conexão entre os dois eventos. A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) foi uma das figuras influentes do movimento que se apropriaram do caso e divulgaram inverdades sem nenhuma evidência.

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Os antivacina chamavam Rafael de “rapaz jovem sem histórico de problemas de saúde”, vitimado pela imunização. Até em outras línguas a história passou a ser compartilhada.

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Rafael lamenta profundamente o ocorrido: “Achei muito maldoso terem julgado sem saber o que realmente aconteceu. Achei maldade comigo e com a minha família”, ele declarou à BBC News.

“[…] não há qualquer alteração que pudesse relacionar isso a um possível efeito colateral da vacina. É uma hipótese totalmente afastada. As redes sociais propagam todos os tipos de informação”, atesta o cardiologista Moreira.

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Rafael Silva aguarda estudos genéticos que estão sendo realizados nos Estados Unidos, já voltou ao trabalho na TV e evita responder aos comentários infundados sobre a vacinação que ainda fazem no seu perfil.

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Artigo com informações do UOL/BBC News Brasil.